domingo, 8 de julho de 2012

Caronte


As memórias obscuras abrem-se nas asas de uma borboleta
A flora mente e desvanece

A luz violeta do poente demora
O meu corpo parece que cresce.

Os quadrados de números imaginados

Nada podem contra o Sol, contra as raivas e odores

De cenários Carnudos, sólidos e entranhados


Nas  águas de um parecer, de germes
   
     de margens ténues, mármore e cores.

Beijo

Porque é que nunca cedemos aos beijos do luar?
Porque é que temos as mãos tão cálidas de magoar
Tão longamente
Suar constantemente
Nas fornalhas adiante
Queimar, fervendo, uma paixão latente?


A Barba fere-se na minha consciência oca
Casa-de-banho, abandonada e mouca
Costurar pensamentos sentado na retrete
Rir-me na cara da Cotonette

Estupidez a bailar, de que eu me rira, consequente
das escolhas que teria a ganhar, rindo mais
Mais dor, mais calma, mais Eloquente
Na minha fantasia, sou um Senador
Pálido, embebido nas palavras de um amor quente

O que me leva aos lábios pra acusar
O Senhor lá nas alturas
De ao conceber me criar
Ter sido demais imprudente.